Zika Virus

Sobre o
Zika vírus

O vírus da Zika é um arbovírus. Ou seja, ele está presente na natureza e depende de um artrópode (animais invertebrados, como os insetos ou aracnídeos) para ser transmitido a um hospedeiro. No ciclo silvestre, o vírus da Zika é transmitido do mosquito para macacos. Porém, desde os anos 50 do século passado foram descobertos casos também em humanos. Para isso ocorrer, o vírus é transmitido por mosquitos do gênero Aedes, especialmente o Aedes aegypti, velho conhecido dos brasileiros por ser o transmissor da dengue, entre outras doenças.

O diferencial do vírus da Zika é que, durante o surto que começou em 2015, os cientistas descobriram que ele também pode ser transmitido por via sexual. Ou seja, o vírus é capaz de sobreviver no sêmen ou nos fluidos vaginais da pessoa infectada e ser transmitido ao parceiro durante a relação sexual (tal qual ocorre com o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis). Por isso, é fundamental que em regiões de surto da doença as pessoas usem preservativo, masculino ou feminino.

 

Sintomas comuns e complicações

A pessoa infectada pelo vírus da Zika apresenta sintomas parecidos com o de outras arboviroses, como a dengue: febre, dor de cabeça, mal-estar e erupções cutâneas. Também podem ocorrer conjuntivite, dores nas articulações e nos músculos.

O que mais preocupa a classe médica e científica, além das autoridades e da população em geral, é que o vírus da Zika é capaz de provocar inúmeras outras complicações à saúde. A principal delas, e que preocupa muito o Brasil, especialmente a região Nordeste, é a capacidade de provocar malformações no feto. O vírus atravessa a placenta da gestante e se instala no organismo em formação do bebê, provocando, especialmente, a microcefalia. Esta condição neurológica tem como principal característica o tamanho diminuto da cabeça do bebê, resultado do cérebro não crescer e se desenvolver plenamente.

Por isso, recomenda-se que mulheres em regiões de surto do vírus da Zika aguardem pelo menos oito semanas após o fim do surto para engravidar. Caso ela ou o parceiro tenham contraído a doença, é necessário esperar pelo menos seis meses.

Outra complicação comprovadamente causada pelo vírus da Zika é a Síndrome de Guillain-Barré. Esta doença ocorre como uma resposta “exagerada” do organismo a uma infecção e tem como característica a paralisação gradativa do sistema nervoso periférico. A pessoa começa a sentir fraqueza e formigamento das pernas e aos poucos vai perdendo a capacidade de se locomover ou mesmo mexer os braços. Nos casos mais graves, os músculos respiratórios e até os batimentos cardíacos podem ser afetados. Por isso, o paciente necessita de internação hospitalar e acompanhamento médico constante até a síndrome regredir.

 

Tratamento

Não existe vacina para o vírus da Zika. O paciente infectado que não apresenta complicações da doença deve repousar e beber muitos líquidos até que os sintomas regridam. Para a febre e as dores, podem ser recomendados medicamentos específicos, receitados pelo médico.

 

Histórico

O vírus da Zika tem este nome porque foi identificado pela primeira vez na floresta de Zika, em Uganda, na África, em 1947. À época, o vírus foi identificado apenas em macacos por pesquisadores que estavam estudando a febre amarela. Poucos anos depois, porém, o vírus começou a infectar humanos. Os primeiros casos notificados são do início da década de 1950, em Uganda e na Tanzânia, também na África.

Até os anos 80, haviam sido identificados poucos casos da Zika em humanos, em países do continente africano e da Ásia. O primeiro surto da doença ocorreu já no Século 21. Em 2007, o vírus da Zika provocou muitos casos na Oceania, mais precisamente no arquipélago da Micronésia. A partir de então, ocorreram diversos surtos na região do Pacífico Sul, especialmente em ilhas da Polinésia Francesa na qual casos de dengue já eram comuns.

A chegada do vírus ao continente americano ocorreu no começo de 2014, com a notificação de um caso em humanos na Ilha de Páscoa, pertencente ao Chile. Pouco mais de um ano depois, em maio de 2015, começaram a ser notificados os primeiros casos no Brasil.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)