Zika no Brasil

Mais de
170 mil
casos
até 2016

Os primeiros casos do vírus da Zika ocorridos no Brasil provavelmente são do segundo semestre de 2014, quando pacientes do Rio Grande do Norte, Maranhão e Paraíba começaram a apresentar os sintomas da doença, sem que os médicos conseguissem fazer um diagnóstico preciso. Somente em maio de 2015 o Ministério da Saúde notificou oficialmente que os sintomas comprovadamente eram provocados pelo Zika, por meio de um exame realizado em um paciente na Bahia.

O que se viu a partir deste momento foi o surgimento de um grande surto do vírus, especialmente nos estados da região Nordeste, como Pernambuco. No primeiro ano de notificação compulsória da doença (quando os agentes de Saúde são obrigados a comunicar ao Ministério da Saúde o surgimento de novos pacientes), foram registrados mais de 91 mil casos prováveis no Brasil, sendo que mais de 30 mil foram na região Nordeste. Até o fim de 2016, os casos confirmados explodiram para mais de 170 mil no país. Porém, como muitas manifestações do Zika são leves e assintomáticas, as autoridades estimam que o vírus pode ter atingido muito mais gente.

No começo de 2016, durante o auge do surto no Brasil e outros países latino-americanos, pesquisadores dos Estados Unidos anunciaram que o vírus da Zika também podia ser transmitido pela via sexual, tanto de homem para mulher, quanto de mulher para homem. Portanto, além de se protegerem contra o Aedes aegypti, ficou claro que era preciso também que as pessoas passassem a adotar a prevenção sexual, por meio do uso de preservativos, para evitar a infecção pelo vírus da Zika em regiões de surto.

 

Gestantes e microcefalia

Uma triste característica do surto de Zika vírus no Brasil foi a constatação de que a infecção pelo vírus durante a gestação pode provocar malformação no feto. Batizada como Síndrome Congênita do Zika, esta malformação provoca principalmente a microcefalia – condição neurológica caracterizada pelo formato diminuto da cabeça e o cérebro menor do que o esperado para a idade do bebê.

Até julho de 2017, havia 2.869 casos confirmados de crianças com Síndrome Congênita do Zika no Brasil, além de mais de 3 mil casos em observação. A criança com microcefalia precisa de atendimento amplo e adequado na rede de Saúde, o que, infelizmente, não se vê na maioria dos casos ocorridos em regiões mais pobres do Brasil.

Embora tenha sido registrada uma expressiva queda nos casos de Zika no país durante o ano de 2017, é preciso manter o sinal de alerta. Programas de educação voltados à eliminação dos focos de Aedes aegypti, e de prevenção sexual são fundamentais para que novos surtos não ocorram nos próximos anos.